Rádio

sábado, 21 de fevereiro de 2004

Brás e Mooca em desenvolvimento há 440 anos

O bairro do Brás está localizado junto ao centro de São Paulo e tornou-se a "locomotiva" para a industrialização da cidade

No início do século XX, o bairro concentrava cerca de 70% da força de trabalho do setor têxtil, que ainda hoje é sua base econômica, instalada nas cercanias do Largo da Concórdia. A construção da Radial Leste em 1957 separou o bairro em duas regiões: Brás (região ao norte da avenida) e Mooca (região ao sul da avenida). A implantação de duas estações metroviárias (Brás e Bresser) e três estações ferroviárias (Brás, Roosevelt e Mooca) contribuiu para a expansão das alternativas de transporte da região juntamente com as linhas de ônibus que trafegam pela Radial Leste em sentido ao centro e a outros bairros da Zona Leste. Aliás, este corredor sempre sofre com constantes congestionamentos nos horários de pico por ser a principal alternativa de ligação com o Centro, sendo descrito como o principal problema pelos moradores e motoristas.

Até hoje, a região mantém seu patrimônio arquitetônico que é preservado principalmente por empresas instaladas na região. A própria Universidade Anhembi Morumbi, instalada no antigo prédio da Alpargatas, é um exemplo da preservação arquitetônica e das iniciativas de ampliação das fontes de lazer: a construção de salas de cinema e teatro e a formação de parcerias com museus para que a população tenha uma programação de exposições permanentes.

A infra-estrutura do bairro é mostrada pela prefeitura e subprefeitura através de números: no setor da Saúde, a região conta com nove estabelecimentos de casas de saúde e clínicas médicas, sete hospitais públicos e particulares.

Pela Educação, a região possui três escolas de ensinos Fundamental e Médio, uma de Ensino Técnico e duas Universidades. Pela Segurança, a região possui apenas três distritos policiais que não estão bem localizados. Quatro equipes comunitárias de policiais militares estão distribuídas pela região nas cercanias da Radial Leste e do centro comercial (Largo da Concórdia - Brás). A região também conta com uma unidade do Corpo de Bombeiros na Mooca. Segundo a subprefeitura, o Fórum Setorial Madeireiro, implantado no Brás, possui propostas de recuperação de calçadas, renovação de fachadas de prédios e um plano de segurança específico para a região.

No setor Social, a região é amparada por organizações voluntárias que beneficiam os moradores de rua e pessoas de baixa renda com abrigo, alimentação, vestuário e cursos. No setor cultural, a antiga Hospedaria do Imigrante foi transformada em Museu e preserva documentos históricos do bairro.

Jornalistas sofrem com "rostinhos bonitinhos" exercendo a profissão

O glamour da área atrai muitos jovens para o Jornalismo, mas a maioria não sabe do poder que está em suas mãos


Lígia Maira, 21, é uma estudante de Jornalismo preocupada com o aproveitamento de sua graduação. Escolheu o curso de Comunicação Social principalmente para trabalhar na produção de documentários. Natural de São Paulo, tem o hábito de viajar, freqüentar teatro e cinema em busca de lazer para destacar-se na área jornalística cultural, pois pretende utilizar essas experiências em suas produções futuras.

Desempregada há seis meses, deseja trabalhar num veículo de comunicação para "vivenciar e adaptar-se rapidamente ao tão saturado mercado de trabalho". Ela acredita que esta saturação é causada pela desvalorização da profissão pelos próprios jornalistas, passivos diante da informação. A estudante acredita que a mídia hoje só está atrás de fatos de repercusão, de reportagens muito apelativas.

Para a estudante, os jornalistas devem ter mais cuidado com o poder de alcance de suas informações. Assim, uma informação modificada destrói facilmente a idéia que a população possui sobre a categoria. Numa visão crítica, Lígia descreve a glamourização imposta aos jovens universitários na qual "as redações buscam um profissional de extrema beleza e competência razoável". E com um pensamento levemente pessimista a estudante revela que este quadro dificilmente mudará. É provável que a aparição de novos pensadores na área poderá mudar tal situação.

PAI: a Anhembi investe em educação

Projeto de alfabetização devolve a esperança dos adultos da comunidade

A Universidade e o Colégio Anhembi Morumbi, junto com o Governo do Estado de São Paulo e o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior (SEMESP), criaram o Programa de Alfabetização e Integração (PAI). Coordenado pela professora Maria Salete da Costa, as aulas são ministradas aos sábados pela tarde. O PAI foi iniciado em julho quando os alunos de pedagogia participaram de um curso de capacitação e assumiram turmas de semi-analfabetos inscritos no projeto.

No campus Centro, 12 alunos entre 18 e 75 anos que querem prosseguir os estudos são orientados pela professora Sueli Miranda - estudante do curso de Letras - a qual estabelece uma relação de troca de experiências com todos. "A gente esquece os problemas e importa-se com eles (a turma). O trabalho é muito gratificante", comenta emocionada.

Entre as conversas, ela analisa as dificuldades dos alunos fundamentada em estudos que valorizam as experiências e opiniões de cada um. Durante a aula, eles recebem noções de Português, Matemática e Informática através de poemas, biografias, debates com temáticas sociais, problemas numéricos e softwares pedagógicos e isto muito os agrada.

Clemência Jorge, 75 anos, aluna do projeto, conta com entusiasmo que sempre lutou para criar seus oito filhos após enviuvar e por isso, não continuou estudando. Hoje, mora com uma das filhas que é formada em Jornalismo pela Universidade Anhembi Morumbi. "A minha filha sempre quis estudar, é o maior desejo dela. Agora, ela está fazendo a segunda faculdade na USP, mas não sei qual", revela Clemência.

Sobre as aulas, ela conta que foi esta filha quem a inscreveu no curso. Disse que gosta dos colegas, das professoras e que seu maior desejo é continuar aprendendo, inclusive Informática, porque "o computador é um instrumento importante que, sabendo usa-lo, muitas coisas boas podem ser feitas", declara a aluna do PAI.

Esta iniciativa, lançada pelo Ministério da Educação no dia 8 de setembro - Dia Nacional de Alfabetização, pretende que neste ano 1,5 milhão, dos atuais 17 milhões de analfabetos, sejam capazes de ler um texto, escrever cartas e fazer as quatro operações básicas da Matemática. Muito mais que promover o conhecimento da língua, o PAI dá uma lição de vida e cidadania para quem dele participa.