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domingo, 22 de julho de 2007

Mercado Editorial: Livro de bolso: pagar pouco, aprender muito

Ele vai a todo lugar com você. Não requer muito dinheiro e tem conteúdo. É o livro de bolso. O formato surgiu no Brasil com a "Coleção Globo", lançada na década de 30 – mesma época em que os “pocket books” nasceram nos Estados Unidos, empobrecidos pela recessão da economia norte-americana em 1929.

Para Daniel Teodoro, professor de matemática e um assíduo leitor do formato, o melhor do livro de bolso é o seu tamanho. “Outra vantagem é que encontro para comprar esses livros na farmácia, no metrô e até no posto de gasolina”, declara Daniel. Ele também acredita que comprar três ou quatro livros pelo preço de um é o diferencial desse tipo de publicação.

A reportagem do Parada Obrigatória pesquisou os principais títulos de duas editoras em livrarias e bancas de jornal de São Paulo e concluiu que todo o catálogo de “pocket book” custa, pelo menos, a metade do preço das edições normais.


O livro de bolso é a principal forma de democratizar e popularizar os clássicos da literatura, que ainda são muito caros para o poder de compra da maioria dos brasileiros. Os livros de bolso não são direcionados a nenhum tipo de público, já que é possível encontrar desde obras de Machado de Assis às tirinhas do Hagar.

Um estudo do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto revela que o preço médio do livro brasileiro em 2005 subiu 3,76% se comparado ao ano de 2004. Em dezembro de 2004, o custo médio de um livro era de R$ 34,07. E em dezembro de 2005 o valor chegou a R$ 35,35, o que representa 10% do salário mínimo. O departamento analisou a variação dos preços de capa de mais de 85 mil títulos de 1.236 editoras de todo o país.

Caio Donini, proprietário de uma editora e também fanático por livros, diz que compra livros de bolso essencialmente por causa do preço. “Vale lembrar também que, por serem impressos com papel jornal, eles são mais leves e assim posso levar de um lado para o outro”, ressalta Caio. Porém, o professor Daniel acredita que faltam livros desse formato com conteúdo didático e paradidático na área de matemática.

Já Caio - que geralmente lê os importados, pois, segundo ele, no exterior a cultura do "pocket book" é muito mais difundida que aqui – pensa que no Brasil os livros de bolso ainda se resumem a obras de domínio público e obras menores (entre 90 e 140 páginas). “Eu gostaria de ver autores consagrados e suas obras recentes em formato de bolso, como, por exemplo, ‘Comédias da Vida Privada’, de Veríssimo”, declara Caio.

A popularização do formato nos grandes centros do país incentiva o mercado editorial. O crescimento nas vendas despertou as editoras a investirem em novas estratégias de distribuição. Disponibilizar o livro de bolso em lugares de fácil acesso também aumentou o lucro do segmento em 20% no ano passado. A Associação Nacional de Editores de Publicações prevê que em 2006 o mercado cresça mais 20%.

Preço: diferença entre ‘normal’ e ‘bolso’ chega a 87%

A reportagem do Parada Obrigatória pesquisou em livrarias e bancas de jornal da Grande São Paulo a diferença entre o preço de diversos títulos no formato convencional e de bolso. A maioria dos títulos em tamanho reduzido custa, pelo menos, a metade do formato tradicional.

Pela Companhia das Letras, a coleção Companhia de Bolso possui entre os títulos “A jangada de pedra”, do escritor português José Saramago. Nossa equipe apurou que o livro é encontrado por R$ 44,00 na sua versão normal. Já o formato “pocket” custa, em média, R$ 19. A diferença, neste caso, é de 55,7%.

A editora L&PM possui um catálogo de livros de bolso especializado nos clássicos da literatura luso-brasileira. O romance “Cinco minutos” de José de Alencar pode ser encontrado pela metade do preço da edição normal.

Veja as editoras, títulos e descontos que você encontra no formato de bolso:

Os campeões da Companhia das Letras

Livro

Diferença de preço entre a versão normal e a de bolso

Che Guevara – a vida em vermelho (Jorge G. Castañeda)

45,9%

O povo brasileiro (Darcy Ribeiro)

49%

Clarissa (Érico Veríssimo)

50%

Nova antologia poética (Vinicius de Moraes)

50,7%

Agosto (Rubem Fonseca)

50,7%

Estação Carandiru (Dráuzio Varella)

53,1%

Entre o céu e o mar (Amyr Klink)

57,9%

O processo (Franz Kafka)

58,2%


As pérolas da L&PM


Livro

Diferença de preço entre a versão normal e a de bolso


A viuvinha (José de Alencar)

55,4%


Édipo Rei (Sófocles)

57,7%


Auto da barca do inferno (Gil Vicente)

68,4%


Discurso do método (René Descartes)

74,2%


Broqueis (Cruz e Souza)

87,5%


(09/05/2006)

Editorial

Nestas edições do Voz Universitária, toda a equipe se esfoçou para representar o pensamento universitário em duas páginas quinzenais.

O desafio foi grande, mas acreditamos que o nosso objetivo foi alcançado. Esperávamos reportar os sentidos e as percepções dos jovens evitando a reprodução dos enfoques que já preenchiam grande parte dos impressos.

Nossa meta é conversar com você, leitor. Deixar clara a importância de que você compreenda apuradamente temas atualíssimos; valorizando as comparações com a História e com outros fatos do cotidiano.

Nossa postura é despertar a mobilização a favor da melhoria da nossa vida universitária. Mas que ela seja obtida de forma organizada. Com decência e argumentos convincentes. Sem bagunças ou ofensas a quem trabalha por nós.

Nas entrevistas priorizamos o depoimento da personagem. Deixamos o entrevistado falar com paixão, ter orgulho da informação e do serviço prestado ao público.

Esperamos, enfim, que essa nossa experiência jornalística seja válida para nossa formação. Mas também que desperte a curiosidade pelo debate das "formas" de apurar as notícias.