Rádio

sábado, 20 de agosto de 2011

Em Brasília, paredes são de vidro



No dia 17 de julho de 2007 um acidente aéreo com o vôo JJ3054 da TAM em Congonhas deixou 199 vítimas fatais. Logo procurou-se os responsáveis pela tragédia. O governo foi acusado pelo descaso com o sistema de gestão aéreo e a falta de condições da pista como uma suposta falha mecânica no avião. Tudo divulgado a todo momento. É na noite da divulgação desta falha pelo Jornal Nacional que o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia e seu assessor Bruno Gaspar fazem gestos obscenos no Palácio da Alvorada. Lá embaixo, uma câmera da Rede Globo, posicionada para uma entrada ao vivo na programação capta a ação.

Mais tarde, o Jornal da Globo apresenta o ocorrido. Os gestos são tidos como comemoração. Um desrespeito aos famíliares, vítimas e à população. O assessor Marco Aurélio respondeu ao vazamento de sua imagem. E a culpa era da mídia. Ele disponibilizou seu cargo. A repercussão ainda arrasta o Ministro da Defesa Waldir Pires que também deixa o cargo, influenciado pela crise aérea. Assume Nelson Jobim.

No mundo, o gesto obsceno é noticiado pelo Repórter sem fronteiras, Financial Times,
reportagem em horário nobre no canal francês France 2, no The New York Times, El Clarín que descreve o gesto e seu significado moral e a BBC.

Claramente, a busca destas imagens evidencia a disputa de audiência em que os casos mais curiosos têm destaque para a população. Nestes casos, é legítimo divulgar imagens obtidas por acaso?

Maximizar um fato negativo também pode ser um refúgio para as notícias de sempre. Enquanto os laudos técnicos não ficaram prontos não só a Rede Globo, mas todos estiveram todos os dias atrás de detalhes. Segundos que encheriam a edição do dia.

Há ainda outras questões que ainda não foram respondidas. É notícia? Houve invasão de privacidade? A reportagem contribuiu para o entendimento das causas do acidente? A população ficou mais bem informada sobre a crise aérea? Reproduziu o ponto-de-vista do governo sobre essa questão? O seminário pode auxiliar a encontrar algumas respostas possíveis.

Original publicado em 08/out/2008 no http://migre.me/aKgqI

O que não era para ser notícia: imagens que vazaram

Escolher como tema imagens que vazaram nos meios de comunicação foi um desafio interessante. Primeiro, ao decidir pelos três fatos analisados, a decisão de que as coberturas televisivas seriam nosso foco esteve baseada no pensamento que circula entre as reflexões sobre a mídia de que a TV somente noticia superficialmente o cotidiano. E logo encontramos casos bizarros e outros em que o espetáculo não programado tornou-se referência para a opinião pública.

Pensamos também no impacto que estas imagens poderiam causar durante a apresentação e despertar o interesse num debate, seja presencial ou através dos blogs. Neste momento surgiram idéias. O caso do acidente em Congonhas, os erros de Bush em seus discursos, o caso Ricupero, a morte de Saddam Hussein e a pérola do presidente Lula mastigando mamonas foram relembradas. Seguimos a lógica de falar de assuntos políticos ou até policiais. Lembramos os Richthofen.

A proposta sempre foi de abordar os acontecimentos em que a mídia exerceu mais do que o papel de divulgadora, mas também de sua participação na construção do final dessas histórias. Casos em que a vigilante passou a participar da notícia.

Momentos em que os meios de comunicação puderam estruturar uma imagem da realidade social, percebida como o real e que ajudaram a moldar e fomentar opiniões. A possibilidade da criação de uma narrativa própria apresentada aos telespectadores como possível verdade.

Em um estudo sobre escândalos, John Thompson ressalta as maneiras como as pessoas comuns assistem a escândalos midiáticos, e o tipo de importância que lhes atribuem, pode não coincidir com a maneira como esses acontecimentos são vistos pelos indivíduos e por quem trabalha na mídia.

Assim mesmo sendo companheiros, os meios de comunicação podem aterar o curso de um fato e provocarem efeitos colaterais mais poderosos que a mensagem pretendida. Isso porque as pessoas recebem essas informações de acordo com o roteiro (contexto) de suas próprias vidas.

Os resultados dessa influência podem ser divertidos, inesperados ou perigosos. O que contemplaria o poder entregue pela população aos veículos transmissores de informação: a credibilidade.

O jornalista Mário Rosa no livro A era do escândalo pensa que o escândalo serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo. Ao denunciar determinadas práticas, o jornalismo se legitima como agente de vigilância das instituições.

Acompanharemos três casos: os gestos obsecnos de Marco Aurélio Garcia, a parabólica de Ricupero e a farsa de Suzane Richthofen no Fantástico.

Original publicado em 02/out/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/10/o-que-no-era-para-ser-notcia-imagens.html

A Velha Mídia também pode ser Nova


Nesta semana o Warner Channel lançou uma websérie "Sorority Forever" somente para a rede. É a primeira vez que o conglomerado Time Warner responsável por empresas tradicionais da Velha Mídia vê a Internet como forma de incrementar seus produtos midiáticos.
Na era da recepção estudada por Schwartz, a mídia eletrônica é recebida instantaneamente, não depende de reflexão do espectador como na mídia impressa em que a informação é percebida. Na TV ou na rede a mensagem é compreendida rapidamente por quase todos os espectadores. Nós reagimos às provocações que surgem dos meios de comunicação sem muito esforço.

O gerente-geral do Warner Channel para a América Latina Afredo Duran afirma que a empresa vê a rede como extensão da televisão. er lança uma produção exclusiva para a internet. Seria medo da nova mídia? Alfredo Duran, gerente-geral do Warner Channel para a América Latina, diz que não. "A TV sempre terá seu espaço com o consumidor porque as pessoas sempre vão querer ver TV em uma tela grande. A internet satisfaz necessidades imediatas do consumidor, de levar a mídia aonde quer que ele vá, no celular ou no seu computador".

Será possível em breve afirmar que exista algum meio de comunicação que não desperte a atenção da Velha Mídia?

Original publicado em 28/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/velha-mdia-tambm-pode-ser-nova.html

O espírito midiático

O homem criou um segundo Deus: a mídia


Os meios de comunicação são geralmente classificados em n adjetivos e substantivos. Na maioria das vezes, reina o ponto-de-vista apocalíptico. Segundo Tony Schwartz, [a mídia] "é um espírito onisciente e todo-poderoso que está dentro e fora de nós [...]. É um mistério, e não poderemos nunca entendê-la". Se para tantos sua existência é um mal e comodamente todos desejarem sua extinção, esqueceríamos de que ela é também espaço de que o cidadão dispõe para chegar perto de si mesmo e exercer democraticamente seu direto de livre expressão.

A visão de mal necessário é legítima, desde que façam parte dela idéias ou princípios que nos permitam conhecer os exemplos construtores dessa visão. Geralmente é tão confortável seguir uma corrente em que não haja trabalho, reflexão. É preciso "ver por si mesmo". Ver um mundo [possível] que existe hoje. Ainda mais quando as personagens envolvidas são conhecidas nacionalmente como no vídeo a seguir.

Sem relativismos, a escolha de uma visão crítica dos principais veículos como Globo ou Veja precisa compreender diversas perspectivas possíveis. Inclusive a possibilidade de estarmos errados.


Assista ao vídeo no Youtube, clique aqui.

Original publicado em 22/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/o-esprito-miditico.html

Os Admiráveis


Os admiráveis. Em busca de possíveis análises sobre acontecimentos noticiados na mídia. Diversos casos engraçados, outros em que formaram-se espetáculos durante a cobertura dos mesmos.
No primeiro seminário sobre imagens que vazaram buscamos compreender as maneiras em que a mídia retratou alguns casos que repercutiram. Pensamos em seguir uma das possíveis análises em que essas coberturas modificaram conceitos perante a opinião pública. Ainda levantar uma hipótese: os meios de comunicação às vezes noticiam fatos por determinado interesse. Mas nem sempre os mesmos, vigilantes da sociedade como são, conseguem prever os efeitos de suas coberturas.

Original publicado em 21/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/os-admirveis.html

A mídia e a sociedade mantém uma relação amistosa?

Pensar as relações existentes entre os meios de comunicação e o nosso cotidiano pode ser uma tarefa um tanto arriscada para um blog. O espaço virtual pode aproximar pontos-de-vista pela interatividade.

E questionar como a informação está inserida no cotidiano desafia este espaço de debate que estuda os efeitos das mensagens difundidas pela mídia. Um dos próximos assuntos do blog será a divulgação de imagens que por sua curiosidade ou repercussão tornaram-se notícia e até desencadearam instabilidades políticas.

A mídia talvez seja vilã por disseminar eventos não-programados ou assume o papel de agente de vigilância das instituições. As mensagens por ela transmitidas podem alterar o rumo de uma campanha eleitoral como em 1995 ou ainda chocar a opinião pública que assistia uma nova tragédia aérea embalada pelos gestos obscenos de um representante do governo.

Original publicado em 18/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/mdia-e-sociedade-mantm-uma-relao.html