Rádio

domingo, 30 de outubro de 2005

Funarte sobrevive: A melhor iniciativa cultural recente está esquecida no centro da cidade

A Funarte (Fundação Nacional de Arte) foi criada em 1975 para incentivar e amparar o desenvolvimento da arte em todo o Brasil. São desenvolvidas atividades culturais ligadas ao teatro, circo, dança, fotografia, música, artes gráficas e plásticas.
Também tem por objetivo auxiliar pesquisas nestas áreas e preservar as produções culturais de todo o Brasil reunindo grande parte da documentação do que foi produzido. A Fundação está preocupada em criar contato entre artistas de diversos estados do Brasil que, através destes encontros podem trocar suas experiências entre si. "É um processo que busca unir todo o país", diz Violeta Rios, produtora de artes visuais e música da fundação.
Violeta tem 26 anos, é formada em artes plásticas. Entrou na Funarte em 1999 como estagiária e lá permaneceu até 2001. Retornou pouco tempo depois, mas não podia ser contratada. O contrato veio com a mudança para o governo Lula em 2003.
A fundação é vinculada ao Ministério da Cultura e por anos foi abandonada pelo Governo Federal. A Sede Nacional fica no Rio de Janeiro. Há sedes regionais em Brasília, que coordena projetos das regiões Nordeste e Centro-Oeste, e em São Paulo, responsável pelo Sul e Sudeste do Brasil. Qualquer projeto apresentado por uma sede regional deve ser aprovado por uma comissão no Rio.
Em março de 1990, o ex-presidente Fernando Collor extinguiu todas as instituições culturais logo ao assumir o cargo. Nestes treze anos, não foram abertos editais para a reforma do prédio. No governo FHC as verbas destinadas eram insuficientes. Neste período os funcionários não recebiam remuneração, mas compareciam periodicamente para prosseguirem os trabalhos. "Desde 90, o número de funcionários é o mesmo. Talvez tenha um concurso próprio até 2006", revela Violeta Rios.
Em São Paulo, ao passarmos pela Alameda Nothmann - bairro Campos Elísios - nos deparamos com uma fachada abandonada. "O prédio está judiado pelo tempo", confessa a produtora.
A Funarte é responsável por ceder os espaços culturais públicos através de licitações abertas a companhias de teatro que não têm onde ensaiarem ou grupos amadores que desejam expor seus trabalhos. O edital é lançado mensalmente para a sala Guiomar Novaes e semestralmente para o Teatro de Arena. Para a encenação das peças cada licitação é válida por seis meses e ainda pode ser renovada.
Os recursos financeiros da Funarte são provenientes do Tesouro Nacional e devem ser aprovados pelo Congresso e da arrecadação própria através de suas atividades. A bilheteria é estabelecida pelo próprio grupo vencedor do edital. A Funarte define que o ingresso não ultrapasse R$ 12. Sendo que 10% de toda a arrecadação deve ser repassada à entidade. Nas apresentações musicais, os artistas ainda devem enviar mais 10% da arrecadação ao ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição). A organização centraliza a arrecadação e a distribuição de direitos autorais e conexos, gerados pela execução pública de obras musicais e de fonogramas.
Pague quanto der - é ingresso, não é contribuição
Os grupos recebem uma ajuda de custo da Funarte na fase de produção. Patrocínios são permitidos, mas são poucas as empresas que incentivam iniciativas culturais.
Neste fim de ano, o Teatro de Arena possui uma programação especial. A Companhia Livre faz até 19 de dezembro uma leitura dramática da peça "A Morte de Danton" escrito em 1835 por Georg Büchner no Teatro de Arena Eugênio Kusnet, dando início as comemorações do cinqüentenário do Arena. As apresentações são realizadas de quinta a sábado às 21h e domingos às 19h.
O grupo determinou que o valor da entrada é livre. O público decide quanto quer pagar. A iniciativa é boa para que todos tenham acesso ao espetáculo. Não seria justo que as pessoas deixem de ir ao teatro por não ter o valor exato da bilheteria. "As pessoas pagam um ou dois reais porque é o único dinheiro que têm", comenta Violeta.
A equipe espera atrair um grande público de baixa renda. Mas não despreza o público de maior poder aquisitivo. Só assim a companhia espera saldar os custos. A proposta é tornar popular o desejo de ir ao teatro através do ingresso popular.
Reviver os cinqüenta anos do Arena não é uma tentativa de voltar ao passado. Todo o trabalho com pesquisas deseja refletir o passado com uma visão atual e ultrapassar inúmeras barreiras impostas desde o governo militar. E a proposta parece bem-sucedida: num levantamento realizado com a bilheteria de janeiro a junho de 2004, quase 7.700 espectadores assistiram a peças em cartaz no teatro, que tem capacidade para 99 pessoas.
No projeto Cia. Livre Conta Arena 50 Anos estão leituras de peças, palestras, debates e depoimentos sobre o papel do teatro na cultura brasileira. Todos os eventos são gravados em vídeo digital que serão documentados e reunidos em um CD-ROM sobre o Arena.
Em novembro passado, a grade de eventos contou com palestras sobre o papel do Teatro de Arena na nossa cultura; encontro entre cenógrafos, figurinistas, diretores, outros profissionais e estudantes da área, para divulgar idéias e discutir sobre a cenografia brasileira; apresentações dos músicos Keco Brandão, Tonho Penhasco e Lucila Novaes na Sala Guiomar Novaes. O espaço possui uma excelente infra-estrutura para a música. Atualmente as apresentações musicais têm grande destaque. Quem visita o espaço numa tarde no meio da semana, pode conferir ensaios de novos grupos de diversos estilos.
Infelizmente projetos como a Funarte deveriam ser exemplos brasileiros de valorização à cultura nacional. Mesmo com pouca ajuda do Estado, ela só resistiu ao tempo e às dificuldades graças aos funcionários que por viverem de arte acreditaram nela.
Serviço
Na sede paulista da Funarte estão instalados a Galeria Mário Schenberg, a Ala Jorge Mautner, o Espaço Almeida Salles e o Espaço Darcy Ribeiro.
Funarte - Fundação Nacional de Arte
Alameda Nothmann, 1058
Campos Elísios
Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô
www.funarte.gov.br
Funcionamento: das 9h às 20h (administração)
Teatro de Arena Eugênio Kusnet
Rua Teodoro Baima, 94
Próximo à Igreja da Consolação
Tel: 3256-9463

(30/10/2005)

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Estamos perto de você

Nestas edições do Catálogo Informativo, houve um grande esforço para representar o cotidiano em poucas notícias. O desafio foi grande, mas acreditamos que o nosso objetivo foi alcançado. Esperávamos relacionar os sentidos e as percepções dos jovens procurando evitar a reprodução dos enfoques que já preenchiam grande parte dos impressos.

Nossa meta é conversar com você, leitor e deixar clara a importância de que você compreenda a fundo temas atualíssimos valorizando as comparações com a História e com outros fatos do cotidiano.

Nossa postura é despertar a mobilização a favor da melhoria da nossa vida universitária. Mas que ela seja bem organizada. Com decência e com argumentos convincentes. Sem bagunças ou ofendendo pessoas que trabalham por nós.

Nas entrevistas priorizamos o depoimento do personagem. Deixamos o entrevistado falar com paixão, ter orgulho da informação e do serviço prestado à população.

segunda-feira, 16 de maio de 2005

Palestra: Zeca Camargo comenta sua Fantástica Volta ao Mundo

Quem se identificou com o quadro "A Fantástica Volta ao Mundo" apresentado no Fantástico por Zeca Camargo pode conferir a palestra do jornalista na Anhembi Morumbi nesta quarta-feira.

No evento, Zeca comenta as situações vividas nos países visitados pela equipe e a diversidade cultural abordada pela série.

O apresentador lançou um livro em dezembro passado contando as experiências deste desafio.

A palestra será realizada na quarta-feira, 18 de maio, às 20 horas no Auditório Teatro Casa do Ator que fica no campus Vila Olímpia (Rua Casa do Ator, 275 - Vila Olímpia). Informações e reservas pelo telefone (11) 3847-3175.

(Voz Universitária, 16/05/2005)

sexta-feira, 8 de abril de 2005

Inteligência humana: Superdotados podem não se dar bem na escola

Pesquisas revelam que as crianças com alto grau de inteligência também tiram notas baixas e têm dificuldades de relacionamento


O conceito de superdotação depende de cada cultura. Para os gregos, os superdotados eram os oradores. Platão já se interessava em descobrir jovens mais capazes e prepará-los para a liderança do Estado. Entre os romanos, eles exerciam a função de engenheiros ou soldados.
Com a descoberta do teste de Q.I., o quociente de inteligência, conseguiu-se estabelecer que são superdotados somente os indivíduos que atingirem mais de 130 pontos no teste. Diversos institutos se empenharam para definir uma taxa de incidência de superdotados na população mundial.
Recentes pesquisas indicam que entre 1% a 2% de toda a população tenha facilidade no aprendizado. Especulou-se também que o número de crianças inteligentes era maior nos países desenvolvidos. O que não é uma verdade absoluta. A taxa não depende da renda per capita dos países, mas dos estímulos e incentivos realizados pelos pais antes da idade escolar.
Mesmo assim a consciência de estimular os filhos aos estudos é mais comum nas famílias de classe média, que tem maior acesso à informação. No Brasil, a estimativa é de exista 1,5 milhão de superdotados.
Estímulos
É fato acreditar que estímulos precoces originam crianças superdotadas. Mas esses estímulos ainda que saudáveis podem transformar os pequenos em adultos. Geralmente, os pais criam uma agenda para os filhos. Entre as atividades programadas estão os cursos de línguas (principalmente inglesa e espanhola), prática intensa de esportes, aula de música e instrumentos musicais. Os pais precisam entender que deve haver um momento para estudar como um período para brincar. A diversão também é uma forma de aprendizado que estimula a percepção infantil.
O aparecimento de crianças com capacidade intelectual muito acima da média não depende de uma técnica específica de treinamento ou memorização. Isso está relacionado a características próprias do indivíduo manifestadas ainda no útero. Por isso os neuropediatras acreditam que a inteligência seja proveniente de um fator genético.
Todo aprendizado é resultado de um processo associativo. A partir de dois ou mais estímulos, há a união das informações que gera um conceito. Para que qualquer criança possa começar a ler é necessário um pré-requisito: a lateralidade. Uma criança que não sabe diferenciar o lado direito do esquerdo não consegue organizar mentalmente o sistema de leitura ocidental que estrutura frases e palavras da esquerda para a direita. Os superdotados nascem predispostos a compreenderem o sistema da lateralidade mais cedo e por isso armazenam mais facilmente informações consideradas complexas para o pensamento infantil.
Comportamento
As crianças superdotadas sempre foram alvo de discriminações e preconceitos sociais. Por geralmente possuírem um comportamento crítico e estereotipado, muitas vezes são vistas como desajustadas ou desequilibradas emocionalmente. Os portadores de altas habilidades (PAH), como são denominados hoje, são curiosos, têm grande capacidade de concentração, entre outras características.
Quando a criança com altas habilidades tem irmãos considerados "normais", os pais devem prestar maior atenção à criação de todos os filhos. Essa situação é uma boa oportunidade para trabalhar a diferença. Geralmente as famílias desprezam as vontades e gostos dos filhos para obrigar o superdotado a estudar. Comparar a eficiência de cada um na escola não é aconselhável. Cada criança possui habilidades especificas. Uma criança que gosta de inventar estórias com uma narrativa coerente pode não saber resolver uma simples subtração.
Os superdotados também tiram notas baixas e muitas vezes nem conhecem seu potencial. Neste caso, o rendimento escolar não é diferente ao dos outros alunos. O tédio do estudante, a má organização do currículo escolar e o despreparo dos professores podem reduzir a capacidade intelectual.
Essas crianças precisam das mesmas coisas que as outras: acolhimento, compreensão, sentimento de pertencer a um grupo social (escola ou família). Em alguns casos, o superdotado procura diminuir seu talento procurando ficar mais parecido com o grupo que deseja estar incluído. O resultado é um número de adultos que desperdiça potencial intelectual por dificuldade de se relacionar com o mundo exterior.
Muitas vezes há a procura pela companhia de pessoas mais velhas, na tentativa de encontrar parceiros com o mesmo nível intelectual ou o mesmo tipo de interesses. Já algumas crianças superdotadas precisam ficar sozinhas, talvez mais do que as outras crianças, para satisfazer seus interesses pessoais.
A resistência em aceitar regras é normal, pois muitas vezes eles não as consideram justas nem necessárias. Os pais devem analisar os limites que estão impondo e explicar ao filho os motivos dessa conduta.


Será que seu filho é superdotado?

Descubra se seu filho possui algumas destas características e se inclui no mundo dos geninhos.
• Rapidez e facilidade para aprender, abstrair ou fazer associações;
• Criatividade;
• Capacidade para analisar e resolver problemas;
• Independência de pensamento;
• Habilidade excepcional para esportes, música, artes, dança, informática ou outros talentos;
• Curiosidade e senso crítico exagerado;
• Senso de humor;
• Investimento nas atividades de interesse e descuido com as demais;
• Bom relacionamento social e liderança;
• Aborrecimento com a rotina;
• Hipersensibilidade.
Níveis de superdotação

Os Portadores de Altas Habilidades (PAH) podem ser classificados em diversos estilos de acordo com o Ministério da Educação e da Cultura. Mas nem sempre se encaixam em somente uma determinada classificação.
intelectual: costuma ser flexível, independente e mostra fluência de pensamento, produção intelectual, julgamento crítico e habilidade para resolver problemas;
social: revela capacidade de liderança, sensibilidade interpessoal, atitude cooperativa, sociabilidade expressiva, poder de persuasão;
acadêmico: demonstra boa capacidade de produção, atenção, concentração, memória, interesse e motivação pelas tarefas acadêmicas;
criativo: tem facilidade para encontrar soluções diferentes e inovadoras. Exprime-se bem, é fluente, original e flexível;
psicomotricinestésico: destaca-se pela habilidade e interesse por atividades físicas e psicomotoras, agilidade, força e resistência, controle e coordenação motoras;
especialmente talentoso: esse indivíduo tende a se destacar nas artes plásticas, musicais, literárias e dramáticas, revelando uma capacidade acima da média das pessoas em geral.


(08/04/2005)

Um gênio admirado pela família

Com seis anos garoto superdotado é atraído pelas novas tecnologias


Rafael, de seis anos, é um garoto hiperativo que surpreendeu toda a família quando começou a ler algumas letras aos três anos. Na época, a preocupação era com a formação da personalidade do garoto. Somente em alguns momentos uma das tias sentava ao seu lado para despertar o gosto pelo estudo. Em pouco tempo, as primeiras palavras foram decifradas e Rafael foi matriculado numa escola infantil. Seu ótimo desempenho revelou que Rafael é um dos poucos brasileiros superdotados.

A enorme curiosidade faz com que os superdotados procurem campos pouco explorados pelos outros. Rafael é fascinado por videogames. Ele conseguiu terminar um jogo em um dia. "O primo dele demorou uma semana para chegar ao final", explica sua irmã Graziela Castro.

Rafael parece dialogar com as novas tecnologias. Quando a família decidiu fazer uma assinatura de televisão paga, naturalmente teve dificuldade com a instalação do aparelho decodificador. Como acontece com todo brasileiro, o manual de instruções pouco esclareceu e a saída era tentar até conseguir. Depois de algum tempo todos desistiram, menos o notável Rafael. "Nosso avô ficou horas tentando e o Rafael não levou mais do que dez minutos", diz a irmã com grande satisfação.

Na escola o esperto Rafael apresenta um notável desempenho. O relacionamento com os colegas é de real companheirismo. Ele conquista muitos amigos, só que em determinados momentos não lança mão de suas vontades ou opiniões. "Às vezes ele briga com os amigos porque é muito teimoso. Se alguém não concorda com ele não é mais amigo", revela Graziela.

A irmã comenta que Rafael não é uma criança agressiva. Somente em algumas ocasiões sua mãe esteve na escola para conversar com a professora sobre as discussões de Rafael na sala de aula. Outra dificuldade é a insistência do garoto questionar as lições. "Quando ele acha que a professora está errada diz que não vai aprender errado e cria sua teoria", explica a irmã.

A família nunca procurou apoio psicológico para o garoto. Todos sabem que é importante incentivar seu interesse pelo conhecimento. Eles acreditam que não podem influenciar na escolha de sua profissão. "Ele ainda não disse o que quer ser no futuro, mas ainda é muito cedo para pensar nisso", conclui Graziela.