Rádio

domingo, 6 de março de 2016

Experiência de criação de página de Internet para divulgar informes sobre a Regulação Ambulatorial, Protocolos de Atendimento e oferta de vagas do Município de Guarulhos

Resumo
A partir da necessidade de organização e sistematização das inúmeras informações transmitidas periodicamente pela Central de Regulação Ambulatorial (CRA) de Guarulhos às equipes das unidades de saúde foi desenvolvida uma página na Internet em 2011 para que os Atendentes SUS, Gestores e demais profissionais pudessem ter rápido acesso a estes dados.
A implantação desta ferramenta agilizou a forma de divulgação de informes da CRA, permitiu interação entre as equipes de saúde, otimizando o trabalho dos Atendentes SUS e objetivando a redução de filas de espera por cadastramento ou agendamentos incorretos para os pacientes.
Palavras-chave: Regulação, tecnologia, organização do trabalho

Introdução
As Unidades Básicas de Saúde são responsáveis pelo encaminhamento e agendamento de todos os exames e consultas com especialistas solicitados para os pacientes residentes em seus territórios e, pela dimensão territorial, número de serviços executantes de média e alta complexidade e as constantes alterações das referências de atendimento especializado é necessária a sistematização e divulgação de grande volume de informação pela Central de Regulação Ambulatorial a todos os serviços do município.
Até o ano de 2011, a Gerência do Complexo Regulador de Guarulhos encaminhava por email os informes de criação e alteração de agendas dos profissionais dos ambulatórios de especialidades de referência para o município, alterações de equipes, protocolos e fluxogramas de encaminhamento. Estes informes gerados individualmente eram recebidos pelas unidades de saúde quase diariamente e precisavam ser direcionados aos Atendentes SUS para que pudessem modificar ou aprimorar o agendamento ou a solicitação de vaga para o regulador de forma satisfatória. Com o tempo, os profissionais precisavam organizar estas mensagens em pastas físicas e/ou digitais e sua consulta demandava tempo folheando grande número de páginas, prolongando o tempo atendimento ao usuário em caso de alguma dúvida. Também deve considerar-se a possibilidade de falha no recebimento das mensagens pela unidade por diversos motivos ou desorganização destas unidades ao trabalhar com estas informações.

Objetivos
Disponibilizar as informações prestadas pela Central de Regulação de forma sistematizada, com alcance a todos os profissionais responsáveis pelo agendamento de consultas e procedimentos das unidades de saúde em todo o município.
Criar e manter um banco de dados em plataforma digital com as informes produzidas pela CRA.
Possibilitar pesquisa rápida dos fluxos e protocolos de agendamento do município pelos recepcionistas e acompanhamento de suas atualizações e alterações.
Reduzir o tempo de espera do paciente por atendimento na recepção e dos agendamentos incorretos ou inclusão de informações incompletas nas solicitações de vagas reguladas inseridas no sistema SISREG.
Divulgação pelas unidades prestadoras de serviços oferecidos, suas especificidades, horário de funcionamento e outras informações necessárias aos munícipes.
Metodologia
A página da Internet teve primeira versão publicada em 24/08/2011, disponível no endereço (https://sites.google.com/site/regulacaoguarulhos/), com acesso irrestrito a seu conteúdo, contendo os textos dos emails encaminhados pela CRA desde 2010 publicados em formato de postagem.
Para organização de conteúdo, a página principal foi dividida:
·                    Menu lateral com link de acesso a todas as páginas e publicações dividido em seções. A seção de informes recentes no menu tem as publicações classificadas por ordem alfabética de especialidade e serviço para reduzir o tempo de busca pela informação;
·                    Quadro com cronograma de visualização de vagas abertas de primeira vez e retorno no sistema SISREG;
·                    Informações recentes: postagens classificados na tela principal por data, do mais recente para o mais antigo, de alteração de agendas, saída de profissionais das unidades prestadoras, alterações de equipes, fluxogramas de atendimento dos serviços e especialidades;
·                    Formulários: informativo sobre formulários existentes na rede e forma de preenchimento;
·                    Tabelas com códigos de procedimentos SIA-SUS para preenchimento dos formulários;
·                    Informes diversos;
·                    Documentos disponíveis para download: Protocolo Municipal de Regulação e portarias de regulamentação de programas ou fluxos;
·                    Lista de procedimentos regulados;
·                    Preparos de exames inseridos pelas unidades prestadoras no SISREG;
·                    Cadastro de unidades com endereço, telefones, emails, equipe de recepção, mapa e relação de linhas de transporte coletivo para chegar à unidade.
Para sua hospedagem, foi escolhida a plataforma Google, gratuita, além da escolha de layout simples para otimizar sua navegação visto que a rede de Internet das unidades de saúde é lenta e frequentes interrupções de serviço.
 A inclusão de novos informes ou suas atualizações eram realizadas ainda com a publicação dos textos encaminhados pela CRA por email à unidades de saúde ou solicitação de atualização pelas unidades prestadoras.
Resultados
            A página, realizada por iniciativa de profissional de unidade de saúde, foi divulgada inicialmente em reunião com Atendentes SUS da Região III e depois, pautada pelo Departamento de Regulação para apresentação para todo município em reunião com Atendentes SUS de janeiro de 2012.
            Em 2013 o Departamento de Informática e Telecomunicações da Prefeitura de Guarulhos desenvolveu plataforma própria para hospedagem e atualização da página da Regulação. A página foi publicada em outro endereço (http://regulacao.guarulhos.sp.gov.br), passou a ter acesso restrito por login e senha e a ser atualizada pela própria equipe do Complexo Regulador.

Conclusão
O desenvolvimento de ferramentas e tecnologias possibilita a articulação entre serviços de saúde visando o aprimoramento dos processos de trabalho. Destacamos que a ferramenta descrita neste trabalho mostrou-se eficiente em seus objetivos, sendo aprimorada e disponível até o presente.

Referências bibliográficas



Acesse aqui o

Relato de experiência de dimensionamento populacional para unidade básica de saúde com estratégia de saúde da família

RESUMO
O presente trabalho relata a vivência da contagem populacional da área de abrangência de um novo equipamento de saúde, com cinco equipes de estratégia de saúde da família, com o intuito de reconhecer e quantificar o território proporcionando um dimensionamento adequado da população e os profissionais da equipe da atenção básica, favorecendo um planejamento de assistência a saúde de qualidade.

PALAVRAS-CHAVE
área de abrangência, territorialização, dimensionamento

INTRODUÇÃO
A Estratégia Saúde da Família é composta por equipe multiprofissional que possui, no mínimo, médico generalista ou especialista em saúde da família, enfermeiro, auxiliar ou técnico de enfermagem e agentes comunitários de saúde (ACS), pode-se acrescentar a esta composição, os profissionais de saúde bucal cirurgiãodentista auxiliar e/ou técnico em Saúde Bucal. O número de ACS deve ser suficiente para cobrir 100% da população cadastrada, com um máximo de 750 pessoas por agente e de 12 ACS por equipe de Saúde da Família, não ultrapassando o limite máximo recomendado de pessoas por equipe. O Processo de territorialização é um dos pressupostos básicos do trabalho da ESF, essa tarefa adquire pelo menos três sentidos diferentes e complementares: de demarcação de limites das áreas de atuação dos serviços; de reconhecimento do ambiente, população e dinâmica social existente nessas áreas; e de estabelecimento de relações horizontais com outros serviços adjacentes e verticais como centros de referência, no planejamento, e em consonância com o princípio da equidade; na integralidade em todos os seus aspectos; nas relações de vínculo e responsabilização entre as equipes e a população adscrita, garantindo a continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado, na avaliação e acompanhamento sistemático dos resultados alcançados, nesse sentido, o uso do conceito de território pode contribuir para o planejamento e tomada de decisões na atuação diária dessas equipes. O território é um espaço, com suas singularidades, o reconhecimento desse território marcado por uma população específica vivendo em tempo e espaço singulares, deve ser compreendido por profissionais e gestores levando em consideração os problemas e necessidades de saúde determinantes.

OBJETIVO
Reconhecer e delimitar a área de abrangência de uma unidade básica de saúde com estratégia de saúde da família com cinco equipes de saúde.

METODOLOGIA
O trabalho foi idealizado a partir da necessidade de identificar e reconhecer o território de abrangência devido a criação de um novo equipamento de saúde, sendo uma unidade básica, com estratégia de saúde da família com capacidade de comportar cinco equipes de saúde. A população estimada no bairro onde está localizada a unidade básica de saúde segundo dados do IBGE de 2010 era de 22.904 pessoas, e a projeção para 2013 de 24.354. Os profissionais contratados para compor a equipe dessa unidade realizaram junto coma a região de saúde III, e a secretária de saúde com o departamento de articulação das redes de atenção a saúde, uma contagem da população da área da abrangência utilizando 29 setores censitários, visitas realizada por quadras e suas faces, identificando o número de moradores, a quantidade de casas atendidas, fechadas, vagas e em construção, salões, terrenos vazios e empresas. Assim, identificar o número de pessoas sus dependentes, reconhecendo também o perfil socioeconômico e epidemiológico do território. Após realizar o dimensionamento populacional entre as equipes de saúde, atentando-se para o cumprimento do que é estabelecido pelo ministério da saúde, de forma organizada e compartilhada com os membros da atenção básica.

RESULTADOS
A contagem populacional demostrou uma diferença entre o estimado pelo IBGE para 2013, encontramos um total de 27.932 pessoas no ano de 2014, considerando esse número apenas das casas atendidas em um total de 8.590 casas atendidas, enquanto, que o número de casas fechadas foi de 452, casas vagas 551, casas em construção 164, e de terrenos vazios 319, salões vagos 247 e de empresas 1.196. O resultado final do cadastramento dos usuários pela equipe de saúde ainda não pode ser analisado de forma profunda, pois ocorreu uma mudança de sistemas para realização do cadastro, antes era usado um sistema denominado SIAB (Sistema de Informação da Atenção Básica) que alcançamos um total de usuários cadastrados em torno de 17.000, porém podemos na época identificar que até o momento, o número de indivíduos vinculados estava em consonância com o preconizado pelo ministério da saúde, e o novo sistema de informação utilizado pelo ministério da saúde denominada Esus, ainda está ocorrendo o cadastro dos pacientes.

CONCLUSÃO
Concluímos que esse trabalho propiciou um reconhecimento adequado do território da unidade básica de saúde, possibilitando um planejamento eficiente nos dimensionamento populacional, favorecendo as tomadas de decisões da gestão em relação a otimizar a assistência a saúde, conforme preconizado pelo ministério da saúde.

REFERÊNCIAS
Machado, M.C.; Araújo, A.C.F.; Dantas, P.J.; Lima, A.O.M.; Lima, T.A.S.; Sarmento,C.L. Territorializaçãocomo Ferramenta para a Prática de Residentes em Saúde da Família: Um relato de experiência. Revista deEnfermagem -UFPE on line. 2012 Nov;6(11):2851-7. 
Silva, G.M. Estudo para conhecimento e delimitação da área de abrangência de uma equipe de saúde da famíliaassistido pelo geoprocessamento. UFMG,2002.Acesso em 19/12/2015: www.http://dab.saude.gov.br/portaldab/smp

Relato da experiência com Matriciamento em psiquiatria nas Unidades Básicas de Saúde

RESUMO
Esse trabalho descreve a experiência do matriciamento com a especialidade médica psiquiatria com as unidades básicas de saúde da região III São João – Bonsucesso, tendo como objetivo ampliar e qualificar o acesso do paciente a rede de atenção psicossocial.O trabalho ocorreu com encontros entre a especialidade médica psiquiatria, equipe da atenção básica, equipe de apoio (NASF / NAAB) e CAPS, para as discussões de casos e de forma compartilhada construir a terapêutica para cada paciente, de forma a possibilitar a integralidade da assistência a saúde, onde os profissionais envolvidos

PALAVRAS-CHAVE
matriciamento, redes de atenção, clínica compartilhada

INTRODUÇÃO
O matriciamento consiste em uma nova forma de pensar saúde, onde duas ou mais equipes de forma colaborativa e compartilhada constroem uma proposta de intervenção terapêutica, esse processo permite ainda a troca de saberes pela equipe multiprofissional envolvida, favorecendo a aproximação entre as especialidades e a atenção primária. (Ministério da Saúde, 2011) A clínica ampliada segundo ministério da saúde é o desfio de ver o paciente de modo singular, onde todos os envolvidos assumem a responsabilidades sobre os usuários dos serviços de saúde, quando necessário busca ajuda intersetorial, reconhece e estabelece troca de saberes entre os profissionais de saúde, assumindo um compromisso ético profundo. As Redes de Atenção à Saúde (RAS) é um sistema para organizar as ações de saúde, de forma a garantir a integralidade do cuidado, com a intenção de uma maior eficácia na gestão a saúde, para contribuir para o avanço do processo de efetivação do SUS. (Ministério da Saúde, 2010).

OBJETIVO
Ampliar e qualificar o acesso dos usuários do sus a rede de atenção psicossocial, promovendo uma saúde mental de qualidade.

METODOLOGIA
O Departamento Regional de Saúde São João – Bonsucesso com a participação dos profissionais técnicos que constituem a referência de núcleo de apoio a atenção básica, a rede de atenção psicossocial, a regulação de especialidades, gerência técnica e a diretora do departamento, propuseram e articularam um método de trabalho para o matriciamento entre os médicos psiquiatras e a unidades básicas de saúde. O primeiro encontro realizado tinha como foco sensibilizar os profissionais médicos das unidades de saúde sobre a realidade da saúde mental em nosso território, encontro conduzindo pelos médicos psiquiatras da especialidade com presença também do CAPS, as reuniões subsequentes foram agendados no território da atenção primária, com a participação da equipe da unidade (médicos, enfermeiros, atendente SUS, agente comunitário de saúde), a especialidade psiquiatria e profissionais da equipe NASF e NAAB. Nesses encontros foram realizados discussões dos casos, onde os profissionais apresentavam para os demais, o histórico do paciente, bem como anamnese dos pacientes que haviam sido encaminhados para psiquiatria e aguardam vaga para agendamento da consulta.

RESULTADOS
As reuniões de matriciamento propiciaram aos profissionais participantes a possibilidade de reconhecer os pacientes que necessitam de atenção psicossocial, identificar o funcionamento do trabalho em rede e por muitas vezes de forma intersetorial, bem como realizar a clínica compartilhada e a importância da família na terapêutica do paciente, promovendo uma atenção a saúde de forma integral. A ampliação do acesso foi um dos resultados desse trabalho, onde atualmente cerca de 700 pacientes realizam acompanhamento compartilhado com a especialidade e a equipe da atenção básica, onde nesse momento apenas dispomos de vinte horas da especialidade de psiquiatria na região de saúde São João – Bonsucesso, qualificando o acesso para os pacientes que apresentam agravo a saúde mental e permitindo acompanhamento de forma periódica. A realização desse novo processo de trabalho iniciado a aproximadamente há um ano favoreceu a aproximação da especialidade com a atenção básica, tendo sido realizado até o momento dezessete encontros no território para o matriciamento, nesses discutidos 432 casos.

CONCLUSÃO
Concluímos que o desenvolvimento desse trabalho estreitou as relações de trabalho, fomentando a importância do trabalho em rede de atenção, ampliando o olhar para a clínica compartilhando e que dessa forma garantiu aos pacientes acesso a uma assistência qualificada.

REFERÊNCIAS
Guia prático de matriciamento em saúde mental / Dulce Helena Chiaverini (Organizadora) [et al.]. [Brasília, DF]:Ministério da Saúde: Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva, 2011.
Matriciamento em saúde mental na Atenção Primária: uma revisão crítica (2000-2010) Karen Athié. Universidadedo Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Sandra Fortes. Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). PedroGabriel Godinho Delgado. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). 
Psiquiatria no século XXI: transformações a partir da integração com a Atenção Primária pelo matriciamento. Sandra Fortes, Alice Menezes, Karen Athié, Luiz Fernando Chazan, Helio Rocha, Joana Thiesen, Celina Ragoni,Thiago Pithon, Angela Machado. 
MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria-Executiva Núcleo Técnico da Política Nacional de HumanizaçãoHumanizaSUS A CLÍNICA AMPLIADA Série B. Textos Básicos de Saúde Brasília ? DF 2004 © 2004Ministério da Saúde.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Estratégia e ferramentas de comunicação para gestão do conhecimento na produção de informação em saúde: relato de experiência e discussão

Especialização em Gestão do Trabalho e Educação em Saúde. (Carga Horária: 400h). 
Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, FCMSCSP, Brasil. 
Título: Estratégia e ferramentas de comunicação para gestão do conhecimento na produção de informação em saúde: relato de experiência e discussão
Orientador: Selma Patti Spinelli


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Experiência de Planejamento Comunicacional em Regulação em Saúde através das Metodologias Ativas

Especialização em Regulação em Saúde no SUS. (Carga Horária: 360h).
Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa, IEP/HSL, Brasil. 
Título: Experiência de Planejamento Comunicacional em Regulação em Saúde através das Metodologias Ativas
Orientador: Jerusa Dias Rahal Moretti

Acesse o trabalho completo (PDF)


sábado, 24 de novembro de 2012

UE 50 anos: crise econômica, separações e desgaste político


Mais de cinco décadas depois de estabelecidos os ideais da atual União Europeia pelo Tratado de Roma para a integração socioeconômica do Velho Continente, o bloco passa por período de desgaste nas relações internacionais e de crise nos setores produtivos e de serviços gerando altos índices de desemprego nos países-membros e de recessão econômica.
Apesar das tentativas de unificação do bloco, consolidando um mercado comum forte, competindo com potências mundiais como Estados Unidos e Japão e para manter posição perante o crescimento de países em desenvolvimento como Brasil, China e Índia, a União Europeia foi abalada com a crise financeira mundial iniciada há cinco anos em que grande parte da população americana perdeu sua moradia e seu emprego.
Mesmo que a União Europeia tenha sido implantada pacificamente, os países-membros tiveram na História suas fronteiras definidas não somente por acordos diplomáticos, mas por guerras movidas pelo interesse que hoje estão acentuados: o de ter um mercado local forte, estimulando a produção e o consumo interno e também de alcance para países mais fracos fora do continente.
Sem mesmo ser atingido pela crise mundial, o crescimento do bloco já se torna fragilizado por buscar uma integração entre membros com acentuadas diversidades econômicas: comparando-se, por exemplo, Grécia e Portugal aos ricos Reino Unido e Alemanha ou os países do Mediterrâneo de forte influencia comercial com países de menos expressão do leste europeu como Estônia e Polônia.
Além destas dificuldades, a difícil superação da crise se agrava com a implantação de pacotes econômicos estabelecidos por dirigentes representados em sua maioria por países que formaram o bloco (Velha Europa) e deixando pouco espaço para representação dos novos membros que também buscam atender seus interesses. Contribui para debilitar a crise o fracasso na elaboração de uma Constituição única e o fraco sentimento de identidade dos cidadãos que não se enxergam como participantes/integrantes de uma potência continental, mas se veem fragmentados por suas fronteiras.
O período de recessão em que Espanha, Portugal, Grécia e Itália se encontram com os altos índices de desemprego possibilita o surgimento de manifestações e greves gerais apoiadas por partidos trabalhistas contrários às políticas adotadas pela UE. Nas ruas os manifestantes cobram condições de subsistência, manutenção da democracia, e que cada país tenha autonomia em suas decisões políticas voltadas às suas reais necessidades e não submissas às nações mais ricas.
 O capitalismo também passa por uma crise sistêmica em que os blocos buscam melhor inserção, desempenho e crescimento competitivo no mundo em que os empregos exigem mão de obra cada vez mais qualificada, onde não é possível manter os níveis de produção para atender ao consumo gerado pelo crescimento desordenado das metrópoles e ainda investir em avanços tecnológicos.
A União Europeia aposta atualmente em criar um regime de dependência entre as nações componentes do grupo de forma impositiva com a instalação de governantes escolhidos não somente por sua importância local, mas sim que estejam mais voltados aos interesses dos líderes do continente.
Isto reflete no aparecimento de movimentos separatistas na Espanha (Catalunha), Bélgica (Flandres) e Reino Unido (Escócia) contrários às regras políticas e econômicas impostas. Estes movimentos idealizam uma economia forte através da criação de moedas próprias valorizadas, redução de suas dívidas e permanência no bloco econômico com participação no poder. Mesmo havendo esforços da União Europeia para conter a separação, que vem ganhando força, a independência dos territórios permitiria mais desgaste ao grupo com perdas econômicas para o continente, despertaria os demais países para uma redefinição de fronteiras por seus aspectos territoriais, políticos, sociais e econômicos e tiraria o foco dos acordos necessários para a superação da crise.


Bibliografia consultada

“2012: a crise americana cinco anos depois”. Carta Maior, 24 de novembro de 2012: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5421. Página acessada em 24 de novembro de 2012.


“Vantagem para os boys da velha Europa”. Presseurop, 23 de agosto de 2010: http://www.presseurop.eu/pt/content/article/321731-vantagem-para-os-boys-da-velha-europa. Página acessada em 24 de novembro de 2012.

“Revoluções fazem-se na rua”. Jornal de Notícias, 14 de novembro de 2012: http://www.jn.pt/multimedia/video.aspx?content_id=2886360. Página acessada em 24 de novembro de 2012.
  

A bancarrota capitalista sacode a América Latina: por uma alternativa operária e socialista”. Partido Obrero, 25 de outubro de 2012: http://po.org.ar/po1245/2012/10/25/a-bancarrota-capitalista-sacode-a-america-latina-por-uma-alternativa-operaria-e-socialista/. Página acessada em 24 de novembro de 2012.


“Soberania da Catalunha desagregará a União Europeia?”. Voz da Rússia, 21 de novembro de 2012: http://portuguese.ruvr.ru/2012_11_21/soberania-catalunha-fim-uniao-europeia/. Página acessada em 24 de novembro de 2012.


“Perito apresenta razões do fracasso da cúpula da UE". Voz da Rússia, 24 de novembro de 2012: http://portuguese.ruvr.ru/2012_11_24/porque-fracassou-cupula-da-ue/. Página acessada em 24 de novembro de 2012.



terça-feira, 6 de novembro de 2012

As responsabilidades do gestor público liderando agentes de mudança


            A figura do administrador público centralizador, inserido em uma hierarquia restrita e agindo por procedimentos cíclicos tem passado por certo desgaste. A gestão pública tem apresentado necessidade de se transformar, adaptando-se cada vez mais aos anseios dos cidadãos. Estes, cientes de que como integrantes de um meio social as ações públicas devem estar pautadas para suas necessidades, sabem não só cobrar pelo que lhes competem, mas de quem está atribuída esta responsabilidade.
            Muito desta mudança é devida sim ao desenvolvimento social e econômico da população, mas também de fins políticos da modernização administrativa baseados em modelos das empresas privadas sem se esquecer do valor público, das ações públicas, dos procedimentos. A necessidade desta mudança provoca a reflexão sobre quais impactos os papéis do agente público e seus valores éticos e morais podem sofrer.
            O valor gerado ao cidadão pelo serviço público é fruto de um trabalho coletivo em que as etapas e os processos são modelados através de relações pessoais dos servidores. E realizar uma reforma administrativa em que o funcionário é participante das decisões, trazendo-lhe autonomia e flexibilidade de ações pode significar um ganho significativo para atender às demandas sociais de forma mais abrangente e mais próxima da realidade da população. Com a descentralização das ações, torna-se possível desdobrar políticas públicas em metas de governo índices de avaliação das condições do desenvolvimento humano promovido.
            Mudar os papéis da gestão pública, da filosofia organizacional do serviço público concedendo maior poder de escolha ao agente público semelhante aos gestores de empresas privadas desenvolve uma visão coletiva da cidade pautada na individualidade do cidadão, valorizando-a. Pensando no cidadão como fim do trabalho do servidor público, a descentralização da administração pública valoriza mais as ideias, a reflexão sobre os procedimentos do que uma mudança em que a hierarquia de trabalho fique pulverizada em camadas que foge ao conhecimento do próprio funcionário.
            Este desafio de compartilhar a responsabilidade de administrar o serviço público agregando valor sem se afastar dos princípios de equidade promove que o funcionário busque significado em seu trabalho cotidiano. Agindo com mais autonomia, o servidor torna-se mais produtivo em prol do bem-estar coletivo pensado nas políticas públicas. Assim, ele não é somente agente público, um instrumento da gestão pública, mas um promotor das ações planejadas executadas em conjunto, agregando qualidade no atendimento às demandas sociais.
Ao mesmo tempo, não é possível relevar que quando se qualifica os interesses particulares da população atribuindo ao servidor autonomia em decisões fica aparente que o conceito sobre o que é público sofre alguma alteração. Neste momento é preciso pensar que o gestor é parte da sociedade e pode privilegiar setores afins. E, por isto, há também neste processo de modernização a necessidade de dispor de critérios para responsabilizar o funcionário público por suas ações. Como um funcionário público poderia agir com livre-arbítrio em seu trabalho sem que houvesse além do respeito à moralidade o cumprimento das regulamentações, das leis?
Esta responsabilização precisa ser encara mais como medida que garanta uma uniformidade das ações realizadas pelos diversos servidores e gestores do que restritiva à criatividade dos mesmos ou como instrumento punitivo aos desvios de conduta que possam surgir.  Respeitar a uniformidade das ações públicas aqui se torna uma questão complexa que não padroniza o perfil do servidor de acordo com os interesses da gestão, mas que o conscientize de seu papel num ciclo de reflexão dos processos de trabalho. Torna-se um indivíduo que se adapta ao contexto político influenciando e sendo influenciado nas decisões. É preciso lembrar que o agente público produz os serviços públicos e ainda como cidadão utiliza estes mesmos serviços. Por isto, justifica-se democraticamente a sua participação na modernização da gestão pública e a importância das ações formuladas pelo Estado para garantir o acesso de todos a estes bens produzidos.
Conciliar responsabilidade pessoal com responsabilidade administrativa para o gestor público pode ser analisado como um paradigma em conflito fruto desta necessidade de modernização do que um combate de forças. Até porque considerando a diversidade de valores daqueles que atuam na administração pública não restringe a determinados padrões de comportamento/ideais/ações. E esta mesma necessidade indica a existência de um profissional multivalente: um cidadão que sabe das suas carências pessoais, busca conquistá-las, é ciente de seu contexto político e social e é representante público produzindo a partir da legalidade para atender a população. Ele é integrante-representante da cidade e isto deve transparecer em sua carreira e em sua vida particular. Um agente de mudança de conceitos, portanto, que sua responsabilidade possa ser compartilhada.

sábado, 20 de agosto de 2011

Em Brasília, paredes são de vidro



No dia 17 de julho de 2007 um acidente aéreo com o vôo JJ3054 da TAM em Congonhas deixou 199 vítimas fatais. Logo procurou-se os responsáveis pela tragédia. O governo foi acusado pelo descaso com o sistema de gestão aéreo e a falta de condições da pista como uma suposta falha mecânica no avião. Tudo divulgado a todo momento. É na noite da divulgação desta falha pelo Jornal Nacional que o assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia e seu assessor Bruno Gaspar fazem gestos obscenos no Palácio da Alvorada. Lá embaixo, uma câmera da Rede Globo, posicionada para uma entrada ao vivo na programação capta a ação.

Mais tarde, o Jornal da Globo apresenta o ocorrido. Os gestos são tidos como comemoração. Um desrespeito aos famíliares, vítimas e à população. O assessor Marco Aurélio respondeu ao vazamento de sua imagem. E a culpa era da mídia. Ele disponibilizou seu cargo. A repercussão ainda arrasta o Ministro da Defesa Waldir Pires que também deixa o cargo, influenciado pela crise aérea. Assume Nelson Jobim.

No mundo, o gesto obsceno é noticiado pelo Repórter sem fronteiras, Financial Times,
reportagem em horário nobre no canal francês France 2, no The New York Times, El Clarín que descreve o gesto e seu significado moral e a BBC.

Claramente, a busca destas imagens evidencia a disputa de audiência em que os casos mais curiosos têm destaque para a população. Nestes casos, é legítimo divulgar imagens obtidas por acaso?

Maximizar um fato negativo também pode ser um refúgio para as notícias de sempre. Enquanto os laudos técnicos não ficaram prontos não só a Rede Globo, mas todos estiveram todos os dias atrás de detalhes. Segundos que encheriam a edição do dia.

Há ainda outras questões que ainda não foram respondidas. É notícia? Houve invasão de privacidade? A reportagem contribuiu para o entendimento das causas do acidente? A população ficou mais bem informada sobre a crise aérea? Reproduziu o ponto-de-vista do governo sobre essa questão? O seminário pode auxiliar a encontrar algumas respostas possíveis.

Original publicado em 08/out/2008 no http://migre.me/aKgqI

O que não era para ser notícia: imagens que vazaram

Escolher como tema imagens que vazaram nos meios de comunicação foi um desafio interessante. Primeiro, ao decidir pelos três fatos analisados, a decisão de que as coberturas televisivas seriam nosso foco esteve baseada no pensamento que circula entre as reflexões sobre a mídia de que a TV somente noticia superficialmente o cotidiano. E logo encontramos casos bizarros e outros em que o espetáculo não programado tornou-se referência para a opinião pública.

Pensamos também no impacto que estas imagens poderiam causar durante a apresentação e despertar o interesse num debate, seja presencial ou através dos blogs. Neste momento surgiram idéias. O caso do acidente em Congonhas, os erros de Bush em seus discursos, o caso Ricupero, a morte de Saddam Hussein e a pérola do presidente Lula mastigando mamonas foram relembradas. Seguimos a lógica de falar de assuntos políticos ou até policiais. Lembramos os Richthofen.

A proposta sempre foi de abordar os acontecimentos em que a mídia exerceu mais do que o papel de divulgadora, mas também de sua participação na construção do final dessas histórias. Casos em que a vigilante passou a participar da notícia.

Momentos em que os meios de comunicação puderam estruturar uma imagem da realidade social, percebida como o real e que ajudaram a moldar e fomentar opiniões. A possibilidade da criação de uma narrativa própria apresentada aos telespectadores como possível verdade.

Em um estudo sobre escândalos, John Thompson ressalta as maneiras como as pessoas comuns assistem a escândalos midiáticos, e o tipo de importância que lhes atribuem, pode não coincidir com a maneira como esses acontecimentos são vistos pelos indivíduos e por quem trabalha na mídia.

Assim mesmo sendo companheiros, os meios de comunicação podem aterar o curso de um fato e provocarem efeitos colaterais mais poderosos que a mensagem pretendida. Isso porque as pessoas recebem essas informações de acordo com o roteiro (contexto) de suas próprias vidas.

Os resultados dessa influência podem ser divertidos, inesperados ou perigosos. O que contemplaria o poder entregue pela população aos veículos transmissores de informação: a credibilidade.

O jornalista Mário Rosa no livro A era do escândalo pensa que o escândalo serve para destacar a defesa do interesse público pelo jornalismo. Ao denunciar determinadas práticas, o jornalismo se legitima como agente de vigilância das instituições.

Acompanharemos três casos: os gestos obsecnos de Marco Aurélio Garcia, a parabólica de Ricupero e a farsa de Suzane Richthofen no Fantástico.

Original publicado em 02/out/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/10/o-que-no-era-para-ser-notcia-imagens.html

A Velha Mídia também pode ser Nova


Nesta semana o Warner Channel lançou uma websérie "Sorority Forever" somente para a rede. É a primeira vez que o conglomerado Time Warner responsável por empresas tradicionais da Velha Mídia vê a Internet como forma de incrementar seus produtos midiáticos.
Na era da recepção estudada por Schwartz, a mídia eletrônica é recebida instantaneamente, não depende de reflexão do espectador como na mídia impressa em que a informação é percebida. Na TV ou na rede a mensagem é compreendida rapidamente por quase todos os espectadores. Nós reagimos às provocações que surgem dos meios de comunicação sem muito esforço.

O gerente-geral do Warner Channel para a América Latina Afredo Duran afirma que a empresa vê a rede como extensão da televisão. er lança uma produção exclusiva para a internet. Seria medo da nova mídia? Alfredo Duran, gerente-geral do Warner Channel para a América Latina, diz que não. "A TV sempre terá seu espaço com o consumidor porque as pessoas sempre vão querer ver TV em uma tela grande. A internet satisfaz necessidades imediatas do consumidor, de levar a mídia aonde quer que ele vá, no celular ou no seu computador".

Será possível em breve afirmar que exista algum meio de comunicação que não desperte a atenção da Velha Mídia?

Original publicado em 28/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/velha-mdia-tambm-pode-ser-nova.html

O espírito midiático

O homem criou um segundo Deus: a mídia


Os meios de comunicação são geralmente classificados em n adjetivos e substantivos. Na maioria das vezes, reina o ponto-de-vista apocalíptico. Segundo Tony Schwartz, [a mídia] "é um espírito onisciente e todo-poderoso que está dentro e fora de nós [...]. É um mistério, e não poderemos nunca entendê-la". Se para tantos sua existência é um mal e comodamente todos desejarem sua extinção, esqueceríamos de que ela é também espaço de que o cidadão dispõe para chegar perto de si mesmo e exercer democraticamente seu direto de livre expressão.

A visão de mal necessário é legítima, desde que façam parte dela idéias ou princípios que nos permitam conhecer os exemplos construtores dessa visão. Geralmente é tão confortável seguir uma corrente em que não haja trabalho, reflexão. É preciso "ver por si mesmo". Ver um mundo [possível] que existe hoje. Ainda mais quando as personagens envolvidas são conhecidas nacionalmente como no vídeo a seguir.

Sem relativismos, a escolha de uma visão crítica dos principais veículos como Globo ou Veja precisa compreender diversas perspectivas possíveis. Inclusive a possibilidade de estarmos errados.


Assista ao vídeo no Youtube, clique aqui.

Original publicado em 22/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/o-esprito-miditico.html

Os Admiráveis


Os admiráveis. Em busca de possíveis análises sobre acontecimentos noticiados na mídia. Diversos casos engraçados, outros em que formaram-se espetáculos durante a cobertura dos mesmos.
No primeiro seminário sobre imagens que vazaram buscamos compreender as maneiras em que a mídia retratou alguns casos que repercutiram. Pensamos em seguir uma das possíveis análises em que essas coberturas modificaram conceitos perante a opinião pública. Ainda levantar uma hipótese: os meios de comunicação às vezes noticiam fatos por determinado interesse. Mas nem sempre os mesmos, vigilantes da sociedade como são, conseguem prever os efeitos de suas coberturas.

Original publicado em 21/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/os-admirveis.html

A mídia e a sociedade mantém uma relação amistosa?

Pensar as relações existentes entre os meios de comunicação e o nosso cotidiano pode ser uma tarefa um tanto arriscada para um blog. O espaço virtual pode aproximar pontos-de-vista pela interatividade.

E questionar como a informação está inserida no cotidiano desafia este espaço de debate que estuda os efeitos das mensagens difundidas pela mídia. Um dos próximos assuntos do blog será a divulgação de imagens que por sua curiosidade ou repercussão tornaram-se notícia e até desencadearam instabilidades políticas.

A mídia talvez seja vilã por disseminar eventos não-programados ou assume o papel de agente de vigilância das instituições. As mensagens por ela transmitidas podem alterar o rumo de uma campanha eleitoral como em 1995 ou ainda chocar a opinião pública que assistia uma nova tragédia aérea embalada pelos gestos obscenos de um representante do governo.

Original publicado em 18/set/2008 no http://mundoemidia.blogspot.com/2008/09/mdia-e-sociedade-mantm-uma-relao.html

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Cada um na sua onda

Poder expressar tudo o que quiser em qualquer ocasião de forma rápida e para o maior número de envolvidos é um ideal do ser humano. As relações sociais entre as pessoas permitem que elas comuniquem-se em diferentes níveis de acordo com seus anseios. Nas relações virtuais espera-se que este mesmo ideal possa ser alcançado mesmo quando se estiver limitado a ouvir e ser ouvido.
Transpor limitações é o que movimenta a tecnologia. Aplicações são criadas para estender o raio de alcance do homem e ajudá-lo a cumprir suas tarefas com mais eficiência e rapidez. Serviços hoje indispensáveis antes eram supridos por tecnologias eficazes ao que se pretendia, mas demandavam mais tempo. Mensagens trocadas pelas pessoas através de cartas comunicavam tanto quanto o e-mail ou por mensageiros instantâneos. A principal diferença está no tempo despendido para a elaboração do texto, envio e recebimento das respostas. E, por isto, o avanço de plataformas comunicaçionais mediadas por computadores proporcionou ao homem mais tempo para executar novas tarefas e mais rastros por redes como a Internet.
A evolução na comunicação pessoal proporcionada por serviços como e-mail, blog ou Messenger deixa nas pessoas a impressão de que estão mais acessíveis em suas comunidades e que podem ser mais colaborativas em temas de seus interesses. Ao mesmo tempo, a quantidade de logins de usuários, senhas e aplicativos para acesso a estes serviços reduzem seus índices de produtividade.
Por este motivo, as empresas desenvolvedoras de serviços para a web como o Google aumentam a oferta de plataformas compatíveis entre si através de “protocolos conversacionais” o que amplia seus negócios em muitos países. A participação do Google no mercado brasileiro de sistemas de busca atingiu 94,8% em janeiro de 2009. (HSM, 2009) Isto representa certa confiança do brasileiro na empresa e também a popularidade de seus serviços no país: mais da metade (51,09%) das pessoas cadastradas no Orkut se identificam como brasileiras.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Interfaces digitais, percepção e comunicação na mídia

Sempre pensamos que o homem domina as informações as quais está exposto todos os dias. Um considerável número de estímulos faz parte do ambiente de pessoas das mais diversas origens. Os meios de comunicação são destinados a codificar todos os acontecimentos para depois distribuí-los de forma geral, de fácil assimilação pelo maior número de receptores. Estratégias e ferramentas podem dar a esta transmissão maior segurança de que as informações atinjam ao público de forma semelhante, sem que sejam modificadas ou se percam por interferências.
A tentativa de representar o cotidiano pode, muitas vezes, se valer de critérios de seleção antes mesmo de sua disseminação. Dos critérios de seleção, os filtros naturais são os mais comuns: informações não decodificadas, ou os desvios de atenção são algumas possibilidades. Dentre os critérios não-naturais é comum observar a definição de baixo interesse social, de aspectos e convenções corporativos que possam ser abalados pela simples organização de dados em uma linha de pesquisa ou a falta de espaço para divulgação de uma informação.
Nestas situações as relações humanas são formas de expressão. As experiências de vida acumuladas pelo homem formam a base das linguagens e códigos aperfeiçoados pelos comunicadores. Assim, a questão de qual a melhor forma de captar um dado para que este tenha sentido a um senso comum encontra no cotidiano técnicas válidas. Se a comunicação é dada pelas técnicas de recepção de dados aliada a conversão dos mesmos em uma linguagem pré-estabelecida para um melhor resultado, desprezariam-se as condições dos receptores. A informação, mesmo codificada e acessível a um grupo, é processada conforme o conhecimento prévio de cada um dos envolvidos.
O chamado público-alvo é composto por indivíduos de experiências distintas por mais características afins que possuam em comum. Estas experiências de olhar a realidade estão intimamente relacionadas à atenção e percepção humana. Uma mesma informação recebida concorre com outros dados concomitantemente. As inúmeras hipóteses e sentimentos possíveis são, então, condicionados pela percepção que a eles determina valores e níveis de atenção. Um olhar condicionado pode mediar a percepção da realidade e desprezar possibilidades também importantes.
O homem está sujeito a informações em excesso: imagens, sons, sensações. E muito disto é descartado durante sem sua anuência. Ao estar inserido em diversas possibilidades, o recorte da realidade para uma verdade possível inicia a formação de conceitos distintos em cada pessoa, em cada ambiente.
Os estímulos atingem a percepção e conquistam a atenção. O impulso em vários momentos não permite que seja tomada ciência de sua existência. E, com toda a atenção dispensada, pode modificar o ambiente. Nos meios de comunicação é mais comum que as representações da realidade não vislumbrem o desenvolvimento da informação após sua transmissão e o ganho de significado dado pelo denominado receptor. Tampouco estima-se que esta recodificação possa gerar alterações de comportamento ou na cultura geral.
O escasso tempo tem sido justificativa recorrente da abstenção de se pensar como criar conteúdos os quais tenham relevância depois da recepção pelo grupo, na construção do conhecimento. As modificações e fenômenos de audiência são frutos mais do acaso do que de um planejamento organizado. E quando surgem tais fenômenos de audiência, os meios de comunicação costumam reproduzi-los. Mesmo sem entenderem porque uma apresentação para entretenimento conquista elevados índices de atenção e audiência, seus produtores e concorrentes repetem-nos à exaustão. São exemplos os programas sazonais de artes e espetáculos, o surgimento de bandas extremamente populares ou a cobertura de catástrofes e tragédias que tomam mais tempo do homem e Mantendo também o faturamento das empresas de comunicação.
Quando o modelo não traz o mesmo resultado, algumas vezes também é desprezada uma pesquisa para contemplar o ocorrido. Novos fenômenos surgem espontaneamente ou são criados como uma indústria, mas de informação.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Onde encontramos a cultura japonesa em São Paulo?

Na série sobre a comunidade japonesa na capital paulista, o primeiro desafio é encontrar a comunidade oriental em São Paulo. Os próprios descendentes discordam da localização.


quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Japão Paulistano na TV

O trailer de Japão Paulistano foi escolhido pelos internautas do site Fiz TV do Grupo Abril para ser exibido nesta semana na TV paga.

O programa Fiz Lugares vai mostrar o documentário que comemora o centenário da imigração japonesa e destaca ainda a importância das tradições para a comunidade oriental. A busca pela preservação dos costumes genuínos. O deslocamento das famílias japonesas por São Paulo neste século. E descobre a contribuição do povo oriental na formação da cultura brasileira.

O Fiz Lugares: Japão Paulistano vai ao ar nesta segunda-feira (10/12/2007) às 23 horas e com reprise na quinta (13) às 16h15, sexta (14) às 14h e sábado (15/12) às 20 horas no Fiz, canal 16 da TVA e canal 20 da TVA Digital.


Você pode rever o programa na tela abaixo.

Assista ao vídeo, clique aqui.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Documentário: Japão Paulistano

Assista ao documentário Japão Paulistano. A reportagem apresenta as manifestações da cultura japonesa na cidade de São Paulo. Até aí, é fácil cumprir a tarefa. Você deve estar pensando: "Basta tirar um sábado e um domingo para gravar na Liberdade, reduto dos japoneses na capital e blá, blá, blá... " Chutou na trave. É lógico que qualquer pessoa - principalmente um jornalista - busque informações e fontes muito acessíveis. E a originalidade? Por isso, decidimos encontrar essas manifestações em outros bairros, além da Liberdade. Tanto pelo desafio quanto por um detalhe: os japoneses hoje não freqüentam tanto o bairro como há alguns anos. A região é ocupada principalmente por coreanos e chineses. Alguns descendentes de japoneses ainda moram por lá, mas a maioria se espalhou por São Paulo. Outros moram próximo ao Centro e trabalham na Liberdade. Bem-vindo a nossa viagem. Descubra conosco um pouco dessa comunidade que contribui para a formação da cultura paulistana -- se é possível definir o que é próprio de São Paulo sem misturar a cultura de outros estados e países -- atualmente.

Assista ao vídeo no Youtube, clique aqui.

domingo, 19 de agosto de 2007

“Os próprios japoneses não preservam a tradição”, afirma imigrante

Dez da manhã de uma sexta-feira de março. Cinco idosos estão calmamente sentados na biblioteca do Bunkyo – nome dado às instalações da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, sediada no bairro da Liberdade.

Enquanto lêem jornais e livros em japonês, podemos observar a quantidade de títulos existentes na biblioteca. As estantes abrigam romances, vídeos, revistas, jornais, mangás. A maioria disponível no idioma nipônico. A sala ampla e bem iluminada conta ainda com grandes mesas de estudo decoradas com pequenas orquídeas ao centro.

Curiosamente, os presentes estão sentados em mesas distintas. O silêncio é imprescindível. Aliás, a tranqüilidade característica do povo oriental se personifica entre os visitantes do Bunkyo já na portaria. Sem esquecer que estamos a poucos metros da Radial Leste. O silêncio e o ruído do tráfego convivem em harmonia na região

É neste ambiente que conversamos com Tsuyoshi Ishibashi. Responsável pela biblioteca, o simpático senhor que conhece cada item do acervo como quem conhece a um filho. Ele revela que a Liberdade hoje é muito diferente da época em que chegou à São Paulo.

Durante a busca por materiais sobre a cultura japonesa em língua portuguesa entre os corredores, conhecemos um pouco mais deste imigrante.

Japão Paulistano – Quem visita hoje o Bunkyo?

Tsuyoshi Ishibashi – Vocês podem notar que são poucas pessoas que vêm aqui. A maioria são idosos que procuram se informar da comunidade tanto aqui como no Japão. O número tem caído.

JP – Os jovens procuram a biblioteca?

Ishibashi – Quase ninguém. Só mesmo os idosos. E mesmo entre eles, a freqüência diminuiu.

JP – Como o senhor explica essa queda?

Ishibashi – É que muitos filhos e netos de japoneses nem sabem o idioma. É muito triste. Não tem desculpa. E os mais velhos acabam morrendo. Assim, menos pessoas vêm aqui. E nessas prateleiras está a nossa cultura. Mas se um descendente de japonês não sabe a língua, ele não vai conseguir entender o espírito que tem nesses livros porque não dá pra traduzir a cultura. E ela vai sumindo aos poucos.

JP – O número de japoneses na Liberdade também diminuiu.

Ishibashi – A Liberdade está sendo tomada pelos chineses e coreanos. Mas não acabou. A japonesada é igual a tiririca, estão em todos os lugares. O bairro aqui ainda é o centro onde todos se encontram.

O bibliotecário pede uma pausa para atender aos novos visitantes. Enquanto isso, deixa alguns livros sobre a ocupação da Liberdade. O bairro fora escolhido estrategicamente pelos primeiros imigrantes porque está localizado junto ao centro, o que facilitava a locomoção para seus locais de trabalho. Depois da década de 1970 com a construção da Radial Leste, muitos japoneses mudaram-se para outros bairros, mas continuam freqüentando a região.

JP – Quando o senhor percebeu a mudança na cultura japonesa?

Ishibashi – Os japoneses estão mudados desde o final da Segunda Guerra. Até mesmo no Japão. Os próprios japoneses já não preservam as tradições, os costumes. Eu ainda orientei meus filhos como aprendi. Sempre orientando para que eles estudassem. Eles até chegaram a começar a faculdade, mas hoje trabalham com música no exterior. A gente sabe que é difícil sobreviver de arte, mas eles gostam do que estão fazendo.

JP – O senhor mora na Liberdade?

Ishibashi – Não. Eu moro em Higienópolis e venho aqui sempre. Eu gosto deste lugar.

domingo, 22 de julho de 2007

Mercado Editorial: Livro de bolso: pagar pouco, aprender muito

Ele vai a todo lugar com você. Não requer muito dinheiro e tem conteúdo. É o livro de bolso. O formato surgiu no Brasil com a "Coleção Globo", lançada na década de 30 – mesma época em que os “pocket books” nasceram nos Estados Unidos, empobrecidos pela recessão da economia norte-americana em 1929.

Para Daniel Teodoro, professor de matemática e um assíduo leitor do formato, o melhor do livro de bolso é o seu tamanho. “Outra vantagem é que encontro para comprar esses livros na farmácia, no metrô e até no posto de gasolina”, declara Daniel. Ele também acredita que comprar três ou quatro livros pelo preço de um é o diferencial desse tipo de publicação.

A reportagem do Parada Obrigatória pesquisou os principais títulos de duas editoras em livrarias e bancas de jornal de São Paulo e concluiu que todo o catálogo de “pocket book” custa, pelo menos, a metade do preço das edições normais.


O livro de bolso é a principal forma de democratizar e popularizar os clássicos da literatura, que ainda são muito caros para o poder de compra da maioria dos brasileiros. Os livros de bolso não são direcionados a nenhum tipo de público, já que é possível encontrar desde obras de Machado de Assis às tirinhas do Hagar.

Um estudo do Departamento de Economia da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto revela que o preço médio do livro brasileiro em 2005 subiu 3,76% se comparado ao ano de 2004. Em dezembro de 2004, o custo médio de um livro era de R$ 34,07. E em dezembro de 2005 o valor chegou a R$ 35,35, o que representa 10% do salário mínimo. O departamento analisou a variação dos preços de capa de mais de 85 mil títulos de 1.236 editoras de todo o país.

Caio Donini, proprietário de uma editora e também fanático por livros, diz que compra livros de bolso essencialmente por causa do preço. “Vale lembrar também que, por serem impressos com papel jornal, eles são mais leves e assim posso levar de um lado para o outro”, ressalta Caio. Porém, o professor Daniel acredita que faltam livros desse formato com conteúdo didático e paradidático na área de matemática.

Já Caio - que geralmente lê os importados, pois, segundo ele, no exterior a cultura do "pocket book" é muito mais difundida que aqui – pensa que no Brasil os livros de bolso ainda se resumem a obras de domínio público e obras menores (entre 90 e 140 páginas). “Eu gostaria de ver autores consagrados e suas obras recentes em formato de bolso, como, por exemplo, ‘Comédias da Vida Privada’, de Veríssimo”, declara Caio.

A popularização do formato nos grandes centros do país incentiva o mercado editorial. O crescimento nas vendas despertou as editoras a investirem em novas estratégias de distribuição. Disponibilizar o livro de bolso em lugares de fácil acesso também aumentou o lucro do segmento em 20% no ano passado. A Associação Nacional de Editores de Publicações prevê que em 2006 o mercado cresça mais 20%.

Preço: diferença entre ‘normal’ e ‘bolso’ chega a 87%

A reportagem do Parada Obrigatória pesquisou em livrarias e bancas de jornal da Grande São Paulo a diferença entre o preço de diversos títulos no formato convencional e de bolso. A maioria dos títulos em tamanho reduzido custa, pelo menos, a metade do formato tradicional.

Pela Companhia das Letras, a coleção Companhia de Bolso possui entre os títulos “A jangada de pedra”, do escritor português José Saramago. Nossa equipe apurou que o livro é encontrado por R$ 44,00 na sua versão normal. Já o formato “pocket” custa, em média, R$ 19. A diferença, neste caso, é de 55,7%.

A editora L&PM possui um catálogo de livros de bolso especializado nos clássicos da literatura luso-brasileira. O romance “Cinco minutos” de José de Alencar pode ser encontrado pela metade do preço da edição normal.

Veja as editoras, títulos e descontos que você encontra no formato de bolso:

Os campeões da Companhia das Letras

Livro

Diferença de preço entre a versão normal e a de bolso

Che Guevara – a vida em vermelho (Jorge G. Castañeda)

45,9%

O povo brasileiro (Darcy Ribeiro)

49%

Clarissa (Érico Veríssimo)

50%

Nova antologia poética (Vinicius de Moraes)

50,7%

Agosto (Rubem Fonseca)

50,7%

Estação Carandiru (Dráuzio Varella)

53,1%

Entre o céu e o mar (Amyr Klink)

57,9%

O processo (Franz Kafka)

58,2%


As pérolas da L&PM


Livro

Diferença de preço entre a versão normal e a de bolso


A viuvinha (José de Alencar)

55,4%


Édipo Rei (Sófocles)

57,7%


Auto da barca do inferno (Gil Vicente)

68,4%


Discurso do método (René Descartes)

74,2%


Broqueis (Cruz e Souza)

87,5%


(09/05/2006)