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segunda-feira, 29 de março de 2004

Um shopping popular a céu aberto

O Largo da Concórdia, localizado no bairro do Brás, abriga um comércio variado de produtos, oferecidos por lojistas e camelôs


Centenas de trabalhadores ambulantes, alguns lojistas, milhares de pessoas circulando semanalmente e todos os tipos de produtos. É neste cenário de uma grande miscelânea que se concentra o comércio do Largo da Concórdia no bairro do Brás. Com acesso fácil às estações Brás do Metrô e da CPTM, o largo se tornou num lugar certo para consumidores que procuram produtos variados e com preços bem acessíveis.

O comércio da região é tão rico em diversidade que é possível encontrar desde ingredientes para fazer uma boa feijoada, passagens de ônibus para o nordeste e até flores artificiais para arranjos decorativos. É dentro desse grande caldeirão que camelôs e lojistas convivem entre uma fina harmonia e discórdia, onde disputam lealmente os consumidores. Para o lojista paranaense Paulo, 39, que vive em São Paulo há 17 anos, os camelôs atrapalham bastante, tanto na descarga das mercadorias como na venda dos produtos. "A loja vende mais, só que paga impostos e isso acaba prejudicando o lucro final", explica o vendedor.

Segundo ele, a prefeitura não tem feito muita coisa para melhorar essa situação e o projeto do camelódromo não deslanchou. Para alguns lojistas a presença dos camelôs em nada atrapalha e ainda existem aqueles que preferem não se manifestar para evitar conflito com os ambulantes.

Já para os camelôs, os lojistas são na verdade o grande chamariz dos consumidores. "As pessoas vêm atrás dos produtos vendidos nas lojas, mas quando notam que na barraca é mais barato, compram com a gente", declara Giussara Fernandes Santos, 15, que parou de estudar na segunda série do Ensino Fundamental. Ela deseja continuar por muitos anos como vendedora ambulante. "Eu faço a minha parte e peço para Deus ajudar para que eu continue trabalhando aqui", declara a vendedora.

Giussara trabalha há um ano como vendedora ambulante numa barraca de calçados. Sua história se confunde com a de tantas garotas escondidas entre os becos estreitos do Largo da Concórdia.

Informalidade

Neste lugar pitoresco se encontra uma variedade tão grande de produtos e pessoas que se revela a história da economia de um país que vive na "corda-bamba". São centenas de pessoas que trabalham sem registro em carteira, férias ou qualquer outro benefício. Muitas delas de segunda a segunda sem folga, em busca de um modo para sobreviver. "Dá para pagar as contas e olhe lá", diz Simone, 25, que trabalha há dez anos como vendedora ambulante. Em sua barraca atualmente ela vende lingerie, mas já vendeu outros produtos.

O medo dos camelôs e lojistas em falar, mostra que o ambiente não é tão calmo e amigável como possa parecer à primeira vista para os que circulam pelo local em busca de bons produtos e preços baixos. O Largo da Concórdia é muito freqüentado por sacoleiros, mas o público mais forte é o consumidor comum. Aquele que busca um preço menor.

Dicas
Um dia de compras no largo consiste em caminhar bastante em busca de preços baixos. Por isso, procure usar roupas confortáveis e sapato baixo. Vá com muita paciência, pois nem todos são simpáticos e se desejar se alimentar é possível fazer um lanche "completo". Basta provar um conhecido churrasquinho grego por apenas R$ 1. mas se o que você procura é fazer uma boa bacalhoada em sua casa, no largo, a oferta de tal produto varia de R$ 15 a R$ 16 o quilo.

Passear, pesquisar ou comprar no local pode ser uma grande aventura. Em que outro lugar você encontraria carne-de-sol dividindo espaço com panelas e utensílios domésticos. Essas são peculiaridades que fazem do largo um lugar onde não se pode deixar de conhecer.


Onde fica:


Largo da Concórdia, altura do n.º 1900 da Avenida Rangel Pestana.

Acesso pelas estações Brás do Metrô e da CPTM ou terminal de ônibus.

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